Monday, 28 February 2011

Space: the final frontier

Not everyone understands the reasons I've posted so many things about ATV... Not everyone understands why I've been living for more than 10 years away from my country, family and (old) friends for a job poorly paid... Well, me either for most of the time!

However, think of something you have given a lot of yourself for almost 5 years of university plus almost 7 years after that? Would you care a bit about it? I guess yes! If after all that time you actually manage to see it in space you can't avoid filling emotional and I am proud of it.
The day Jules Verne was launched I didn't sleep, the adrenaline could not allow for it: something I've helped doing was actually flying and now we would see if all mistakes have been corrected... The day of the docking I could see colleagues with some tears in their eyes... Some of them a lot older than I am! Myself I was just on top of a cloud... I actually get angry when people do not understand this!

Look at Jules, isn't it pretty? It looks like an angel in space:



In the evening of that day (3 April 2008), I went back to my handball club to watch the -18M practise. I opened the door of the room and... I got applauses before even saying "hello"! You don't get this kind of attitude from everyone, and in this case it was from my previous kids, the ones I used to coach. I remember this as much as the docking itself: these kids, that knew not much about space, not only were aware that it docked as associated their annoying shouting coach to it...
At this time I was already looking forward: I moved one to another project that had everything to be as exciting: ExoMars.

Unfortunately politics gets often in the way of the life of a space scientist... It becomes difficult to focus on exploring space, because most of the time it is about dealing with industrial/political constraints. For example: countries putting more money on a project need to get more work, regardless of their suitability! This political principle is called "Georeturn" and, in my humble opinion, is killing the European space exploration. I am told it is the only way: I'm sorry, I MUST disagree.
Nevertheless it still gets me enough motivated to keep working on this industry!...

Recently I was able to talk about the ExoMars project in a Portuguese magazine:




My position on this georeturn approach is so strong I could go to the extreme of saying that, in countries like Portugal, "industry" only exists to get the money, not to actually build anything useful. I recently was under the shock of realising that Portuguese organisations were extremely excited by the fact that Portugal is now fully spending the georeturn (10 millions of euros per year)... I couldn't be more disappointed! All this money and we have achieved nothing! This funding, on the right hands, could have allowed for so much more space exploration...
I am not against countries like Portugal getting contracts - I obviously wish it! However, the spread of PMEs, the pure quest for the "subsidy", the lack of a common purpose and an industrial organisation to meet it, etc. leads me to thing that either this changes or space exploration is better off without these politician-pleasing activities! It only makes sense to invest money in space exploration if it is for space exploration, not to nourish parasites.
I almost do not blame the companies because one has to survive. However, it is up to the Portuguese government who invests that taxers money to promote a common effort to actually produce something that can be useful for space exploration, instead of just working for the (wrong) statistics and votes.
This is not a Portuguese problem, it is an European problem. In my opinion it is a cancer for the space exploration and it will be difficult not to die from it, in particular if we wait too long for brave decisions from the ones that are very well paid to make those decisions but do not manage to do it.

Moving one... ATV2 goes to space in the 16th of February 2011! Following a long knowledge transfer and political inefficiency, it finally gets there... Another example of the cancer effects...
Kepler works flawlessly and again I'm walking on top of the clouds... Once again, people that have never been through this type of personal investment and personal satisfaction do not get it... Their loss!
I leave you the final meters of the docking of Kepler (24th of February 2011), a picture of the docking with the moon in the background, and a picture taken from the Space Shuttle less than 2 days after the docking:

video or here.




Now, imagine all these engineers that are highly motivated... Now, imagine these engineers spending their time, effort and resources trying: to deal with political decisions, to work with teams that might have been chosen for political reasons and not for their quality, to redo their job countless times because someone cannot make decisions and the available budget is being spent as we breath... Do you really think they'll remain motivated? Do you really think that it will be a great engineering product? Do you really think it will be cheaper? Do you really think we'll explore space one day?... I guess you know the answer!

Please: like a previous Portuguese prime-minister (now president) once said: let us do our job! If you do so, success can happen! If not, stop wasting my time and taxpayers money. Put your eyes on the successes such as ATV and get your act together. Europe raised itself to the level of the bests in the world, we need to build on it, not to start from scratch in another place just because that will be easier to get votes in that part of the world.

Sunday, 6 February 2011

Cursos de Engenharia em Portugal

Penso que já devia ter escrito isto há muito apesar de já o ter dito muitas vezes...

Isto começa a ser difícil de escolher pessoal vindo de Portugal! Sim!... O que acontece é que os nossos currículos são demasiados específicos, teóricos, e difíceis de vender. Continuamos a formar pessoas para fazerem doutoramentos e não para irem para a indústria (ou criarem indústria). Não me percebam mal, não sou de todo contra a carreira académica, mas o país não pode viver só disso.

Estou a escolher um estagiário para este ano. Somos 3 no departamento à procura de estagiários. Para começar, envio os estágios para o Técnico e recebi 3 (TRÊS) candidaturas: 2 de aeroespacial e 1 de electrotécnica de computadores... Isso já começou mal, e muito! Também não me posso esquecer que há uns anos fui fazer uma apresentação ao Técnico sobre os projectos em que trabalhei e sobre a Astrium. Recordo-me que tive 7 (SETE) gatos pingados no anfiteatro de Civil (o maior do IST na altura)... Fantástico, espero que não lhes dêem subsídios de desemprego quando acabarem o curso.

Recebemos currículos Franceses (uns 20), Ingleses (uns 10) e Portugueses (os tais 3). À volta da mesa para fazer uma primeira selecção (não, isto não é uma anedota): um Inglês, um Francês e um Português (eu). O Inglês começa por fazer a observação que está muitíssimo bem impressionado pelos CVs franceses... Eu conheço o sistema Francês, também passei por ele parcialmente, e percebo o porquê desta "introdução".
Basicamente seleccionados currículos Franceses. Há lá um Português porque eu conheço o curso, mas se não fosse por isso ninguém passava à segunda fase. Isto é grave, muito grave.

Não só o curso e a nossa cultura têm limitações importantes, como não nos sabemos vender. Assim não vamos lá.Análise:
- O curso é demasiado teórico na parte final. Eu sou mais que favorável a 2 anos iniciais bastante exigentes em matemática e física (sim, semelhante ao sistema Francês). Mas, depois temos de por os alunos a fazerem projectos, e projectos orientados pelo menos parcialmente pela indústria.
- Os anos a seguir ao segundo têm de ser um misto de aulas ligadas às opções dos alunos e aulas e projectos dadas por pessoas da indústria. Portugal não tem indústria? Treta! Temos que chegue para que uma pessoa dessa empresa vá ao IST propor projectos ligados ao trabalho que têm. O pessoal tem que perceber que isto é benéfico para os alunos e para a indústria.
- Temos de ter uma cultura de estágios! Chega de termos uma grande época de exames, umas grandes férias de Verão, e aulas sentados numa cadeirinha. Temos de ter estágios desde o secundário, ou pelo menos desde o tal 2º ano. E isto tem que ser obrigatório. O IST tem que fazer muitas parcerias com empresas para os alunos poderem escolher. O IST tem que ter esses contactos e depois obrigar os alunos a procurarem pela rede que o IST ajudou a criar. Os ex-alunos têm de fazer estas pontes!
- Os alunos têm de perceber que não andam atrás do canudo. Canudos há muitos! Eles andam de facto a aprender e a perceber o que querem fazer na vida. Eles têm que se saber vender, e venderem-se pela competência-não apenas porque têm uma boa média! Mais uma vez, isso é importante para carreira académica, não para a indústria. Cá fora, o pessoal nem olha para isso. Aliás, ficaram muito espantados quando viram as notas e perguntaram-me o que se tinha passado para os alunos enviarem isso... Estão a perceber o choque cultural?!
- Os alunos têm de procurar (e custa!) estágios e experimentar várias áreas, ou pelo menos aquela em que pensam trabalhar. Isso é que conta! Quando estamos a avaliar CV's olhamos para a experiência profissional muito mais que o currículo do curso. Provavelmente ficam a pensar: como é que se pode ter experiência profissional se ainda se é estudante?! Acordem! Com estágios que vocês têm que conseguir encontrar. É nisso que os CV's franceses passam à frente de qualquer outro dos que vejo. Sabem quanto pessoal vejo a trabalhar num projecto da ESA para construir um Star Tracker por estudantes?... Muitos, mesmo muitos! Não há razão para nós não fazermos o mesmo. - Façam um CV em que mostram as disciplinas chave que tiveram! Não digam Eng. A, opção 1! Isso é "nada"! Expliquem com palavras chave o que é. Valorizem os estágios, mesmo que sejam de 1 ou 2 meses! Tudo isso é muito importante.

Resumindo: os regentes dos cursos e das universidades têm que mudar o paradigma. Precisam de usar a rede de ex-alunos para criar uma rede de estágios e obrigar os alunos a pelo menos um estágio numa empresa por ano - tem de ser parte do currículo! A partir do segundo ano têm que começar a ter pessoas da indústria a dar aulas e a propor projectos escolares. Isto faz com que os alunos percebam os problemas reais enquadrados por pessoas que sabem o que é de facto importante. Os alunos têm de se valorizar no CV: disciplinas chave e estágios.

Isto é uma mudança cultural, mas é indispensável. Eu considero isto uma das razões para Portugal não sair de onde está. A receita que aplicamos é a mesma há décadas! Por favor mudem, estamos a ficar para trás, e o tempo não pára!...